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Violência Contra Indígenas

   Violência Contra Indígenas

Assalto com sequestro de indígenas foi o primeiro na região das terras Uru-eu-wau-wau,mas não é fato isolado, o que reforça a importância de instituições com atuação em rede para o fortalecimento desses povos


(Divulgação)

O crescente aumento da violência contra os indígenas vem tornando a situação desses povos cada vez mais crítica. O desmatamento e destruição da floresta vêm se transformando em investimento com tentativa insistente por parte de invasores de fazer com que a exploração ilegal seja legalizada.

Segundo Ivaneide Bandeira, fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, existe uma ação orquestrada para reduzir o território tradicionalmente ocupado pelos Uru-Eu-Wau-Wau, “Esse é o modus operandi dos invasores: eles entram, destroem tudo e depois dizem que estão ali faz tempo e pedem indenização”, e afirma que o “território já está bastante invadido e degradado, eles transformam as áreas desmatadas em cultivos de milho e soja, ou pasto para gado com apoio e financiamento de fazendeiros e políticos locais”.

Na noite de 26 de novembro três indígenas Uru-Eu-Wau-Wau, de 20, 45 e 81 anos, foram assaltados e feitos de reféns em uma estrada de Cacaulândia (RO). Ficaram sob a mira dos bandidos por cerca de 12 horas. A caminhonete e os equipamentos que estavam dentro do veículo foram roubados, um drone, uma carrocinha e uma roçadeira, que haviam sido doados por uma associação etnoambiental para ajudar no monitoramento do território.

A terra indígena Uru-eu-wau-wau possui 1,8 milhão de hectares, nela existem 6 aldeias deste povo e outras 3 de outras etnias, além de grupos de indígenas isolados. Está em constante disputa. Roubo de madeira, grilagem de áreas protegidas e ameaças a lideranças indígenas são comuns. “A invasões estão ameaçando, inclusive, os povos isolados, que nunca tiveram contato com brancos”, afirma Bandeira.

Um relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no dia 30 de setembro de 2020, mostra que em 2019, a violência contra os 305 povos indígenas brasileiros aumentou de maneira sistêmica. Em 16 das 19 categorias de agressões, que incluem racismo ,expropriação de terras indígenas e omissão do poder público, houve agravamento significativo. No capítulo sobre violência contra a pessoa, constam 276 casos, soma superior ao dobro da registrada em 2018, que foi de 110.

Rede de parceria

A constante ameaça e violência cada vez maior contra os povos indígenas mostra a importância da atuação das instituições que trabalham integradas na região. O projeto LIRA,uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, atua em 43 unidades de conservação e 43 Terras Indígenas no bioma (cerca de 12% das 379 Terras Indígenas da Amazônia Legal), por meio de uma rede de parceiros locais.

O projeto Conectando Terras Indígenas da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé,parceira do LIRA, se propõe a promover a sustentabilidade socioambiental de terras indígenas e unidades de conservação em Rondônia, com a implementação dos planos de gestão territorial e ambiental, contribuindo para a conservação de 2.694.827 hectares de floresta e o fortalecimento de 05 associações indígenas e 01 extrativista para atuarem no desenvolvimento sustentável de seus territórios. São ações nas cadeias de turismo, farinha,castanha, implementação do Plano de Proteção Integrada, biomonitoramento, entre outras.

Segundo Fabiana Prado, Gerente de Articulação do IPÊ e responsável pelo projeto, o LIRA vai apoiar o fortalecimento institucional das organizações indígenas, o que é extremamente importante, pois contribui para que os povos cumpram o seu papel na discussão dos territórios e no fortalecimento da sua cultura. “O objetivo é fomentar as cadeias produtivas,desenvolvendo ações de formação e de construção de instrumentos de gestão econômica territorial, para que sejam criadas condições favoráveis de acesso ao mercado com base em parcerias comerciais sólidas e duradouras”, diz Fabiana. “Frente ao cenário de desmatamento e fogo à qual estão constantemente expostas, nossas ações também vão dar suporte para que os indígenas possam aumentar o seu sistema de vigilância”, afirma.

Com o LIRA, será possível dinamizar e colocar recursos na economia local, apoiar a geração de empregos e renda através da sociobiodiversidade, potencializar a autonomia e soberania alimentar e fortalecer redes de instituições trabalhando de forma integrada, ajudando a implementação das políticas públicas socioambientais no território. As ações vão envolver 21 Terras Indígenas (mais de 17 milhões hectares) nessa primeira fase do projeto, beneficiando 20 diferentes povos da Amazônia.

Sobre o IPÊ

O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas é uma organização brasileira sem fins lucrativos que trabalha pela conservação da biodiversidade do país, por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis.

Fundado em 1992, tem sede em Nazaré Paulista/SP, onde também fica o seu centro de educação, a ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Presente nos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado, o Instituto realiza cerca de 30 projetos ao ano, aplicando o Modelo IPÊ de Conservação, que envolve pesquisa científica, educação ambiental, conservação de habitats, envolvimento comunitário, conservação da paisagem e apoio à construção de políticas públicas. Além de projetos locais, o Instituto também desenvolve trabalhos em diversas regiões, seguindo os temas Áreas Protegidas, Áreas Urbanas e Pesquisa & Desenvolvimento(Capital Natural e Biodiversidade). Para o desenvolvimento dos projetos socioambientais, o IPÊ conta com parceiros de todos os setores e trabalha como articulador em frentes que promovem o engajamento e o fortalecimento mútuo entre organizações socioambientais, iniciativa privada e instituições governamentais. www.ipe.org.br

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade(ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas - SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Mais informações:https://lira.ipe.org.br/

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