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Salvem O Professor Brasileiro

   Salvem O Professor Brasileiro


(Divulgação)

A tecnologia veio com força total e argumentos de que sua aplicação à educação, com aquisição de benefícios sempre positivos são inesgotáveis.  Um lado maravilhoso é o da tecnologia assistir vá. Mas se de um lado as coisas caminho bem, parar os professores, o campo está minado.

O ambiente de trabalho do professor foi completamente reformulado e ao mesmo tempo em que é possível usufruir das diversas vantagens pelo avanço tecnológico, (a marca é o ensino a distância), ao mesmo tempo, o professor padece num sofrimento jamais visto. A profissão não confere autoestima como o cenário é inóspito. Além de não terem sido preparados para enfrentar este fenômeno, eis que tradicionalmente no Brasil não se preparava o professor para usar a tecnologia também não houve tempo para que absorvessem o know-how e a expertise.  Lidar da hora para outra com determinadas insumos e ser cobrado virou angústia. O controle a vigilância também se tornou permanente. A moda é a gravação das aulas, a repetição sem autorização do professor das aulas gravadas, discussão acerca das esferas públicas e privadas, o choque entre o direito à imagem e o direito público, tudo isso, contribui para aguçar o conflito. 

Sim, Vivemos na Sociedade da vigilância, ou vigilância hierárquica, onde as alternativas tecnológicas colidem com os direitos da personalidade.  Pessoas trabalham com o dever de transferir conhecimento, debaixo dos olhares de quem devem não precisam ser vistos. A sala de aula se tornou laboratório, acessível a pais alunos, outros colegas, chefes e até mesmo curioso. Um perigo um campo minado.
Para Rodotá: “A tecnologia pródiga de promessas, mas além de tudo é preciso ter em mente que não coincidem a capacidade tecnológica de gerar subjetividades e a persistência dos sujeitos assim criados fecha aspas hoje, o livre pensar do professor desafia censura crítica.
É preciso conter essa lobotomia muito parecida com o fenômeno já descrita por Marx , como alienação, aonde se roubam as defesas psicológicas, e as esferas livres de pensamento, com uma interferência dirigida. para um fim. Que fim é esse não sabemos, mas sabemos que ainda que a subordinação seja um traço da relação de emprego, esteja ele numa sala de aula pública ou privada, sala de aula não é uma bibliografia e nem deveríamos tratar o professor no quadrante da figura pública. O trabalho humano pode ser reformatado pelo avanço tecnológico, pode ser em mediatizado, mas a honra a liberdade e a dignidade do professo, não podem ser atingidos e ou justificados, pela tecnologia. O sujeito social ativo na relação de trabalho, o doce é autor, e não refém da tecnologia, esse julgamento não pode ser invertido.
O medo da tecnologia substituir os seres humanos é muito recorrente, mas sensibilidade, poder de persuasão, jeitinho, paciência e transferência de conhecimento: nada disso irá ser safado pela tecnologia a capacidade de impor emoções é privativa do homem.

Discussões acerca de gravação publicação ou divulgação de aulas, fazem parte do conflito, mas nada é mais importante do que ressaltar que a tecnologia como vetor, não colidir com o direito à intimidade a vida privada. Sendo assim, que então ela não desvie o foco ou alvo de seu projeto - que no fundo é melhorar a qualidade do ensino e da relação docente e discente. Tecnologia não se sobrepõe a liberdade.
Maria Inês Vasconcelos, advogada, especialista em Direito do Trabalho, professora universitária e escritora.

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