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Vale da Serra da Moeda dá boas-vindas a mais de 800 orquídeas nativas e puras de Mata Atlântica e Cerrado mineiros, típicas da região, e se prepara para a chegada de outras unidades totalizando 3 mil plantas. Iniciativa é do projeto Orquídeas Brasileiras e contempla nove espécies ameaçadas de extinção

 Vale da Serra da Moeda dá boas-vindas a mais de 800 orquídeas nativas e puras de Mata Atlântica e Cerrado mineiros, típicas da região, e se prepara para a chegada de outras unidades totalizando 3 mil plantas. Iniciativa é do projeto Orquídeas Brasileiras e contempla nove espécies ameaçadas de extinção

(Divulgação)

Cerca de 800 orquídeas nativas e puras da Mata Atlântica e do Cerrado mineiro começam a ser introduzidas em árvores e rochas da região do Vale da Serra da Moeda a partir deste mês de fevereiro. Essa é parte das 3 mil plantas que estão sendo preparadas para introdução na natureza, sendo 21 espécies, nove delas ameaçadas de extinção. Além da exuberância, da preservação e da valorização de espécies típicas do local, essas orquídeas repercutem em ganhos ambientais para todo o entorno: as flores atraem insetos, inclusive abelhas nativas, que polinizam as próprias orquídeas e outras plantas. Esses insetos, por sua vez, atraem predadores, ativando o ecossistema e mantendo o equilíbrio natural da área.

A iniciativa é do projeto Orquídeas Brasileiras, que vem sendo realizado desde o 1º semestre de 2019 e envolve cinco etapas. A primeira foi o diagnóstico, por meio de visita ao Vale da Serra da Moeda, para entender quais são e procurar as espécies que ainda ocorrem na região. Na sequência, foi realizada a seleção das espécies, a aquisição, em orquidários profissionais, de espécies nativas e puras, bem como a polinização e reprodução em laboratório. A terceira etapa é a de aclimatação, para desenvolvimento e fortalecimento das mudas geradas e, a quarta etapa, é a introdução na natureza. “A quinta e última fase será monitorar o desempenho dessas orquídeas até que estejam totalmente independentes de cuidados como limpeza, regas, adubação e controle de pragas”, explica o responsável técnico pelo projeto, Reginaldo de Vasconcelos Leitão, que é geógrafo e especialista em orquídeas.

As etapas ocorrem de forma simultânea: enquanto algumas plantas são introduzidas na natureza, outras são adquiridas e reproduzidas. “Certo é que a meta de 3 mil plantas será facilmente ultrapassada”, comemora Reginaldo.

Sobre a escolha das espécies que serão reintroduzidas na natureza, Reginaldo explica que foram observadas características como: serem espécies nativas puras; possuírem boa interação com a flora local, especialmente as árvores; terem hábitos ecológicos similares, facilitando a adaptação ao ambiente; florescer em épocas do ano alternadas e destacarem-se pela beleza peculiar.

Reprodução em laboratório

Entre as adotadas para reintegrar a flora local está a orquídea considerada símbolo do projeto, a Hoffmannseggella milerii (ex Laelia milerii). Simbólica das serras mineiras e endêmica do Quadrilátero Ferrífero, no entorno de Itabirito/MG, é uma espécie oficialmente ameaçada de extinção, na categoria ‘perigo crítico’, além de ser rara em cultivo devido à dificuldade de reprodução. “Foi necessário buscarmos plantas adultas, que seriam as matrizes, com colecionadores para fazermos a polinização (fertilização) e gerar frutos (sementes). O resultado foi positivo e acabamos de enviar essas sementes para reprodução em laboratório especializado, no Espírito Santo. A previsão é que uma nova geração de mudas seja iniciada ainda neste ano, detalha Reginaldo.

Também estão sendo reproduzidas em laboratório as espécies Cattleya walkeriana, que teve semente enviada para reprodução em maio de 2019, e a Cattleya warneri, que teve sementes enviadas em outubro daquele mesmo ano. “As mudas já estão prontas e vamos buscá-las para aclimatação já na região do Vale da Serra da Moeda”, atualiza o geógrafo. A nova fase pode durar de um a dois anos. O responsável técnico pelo projeto detalha ainda que, “depois da aclimatação, feita em frasco específico para este fim, essas mudas são repassadas para bandejas, para encorpar, depois para um vaso e, por fim, para a natureza”.

Orquídeas Brasileiras é uma iniciativa do empreendimento Boavista, localizado no Vale da Serra da Moeda, que foi idealizado e vem sendo contribuído com base no tripé da sustentabilidade. O objetivo do projeto é inserir espécies de orquídeas nativas da Mata Atlântica e Cerrado mineiros, que antes existiam na região e foram desaparecendo ao longo dos anos, bem como disseminar o conhecimento sobre orquídeas nativas brasileiras.

Sobre as espécies que estão sendo introduzidas na região

Em árvores

-   Cattleya walkeriana: espécie identificada na região do Vale da Serra da Moeda. Encontra-se ameaçada de extinção, na categoria vulnerável. Floresce no outono. É reconhecida como a orquídea-símbolo do Brasil.

-   Cattleya bicolor: Minas Gerais é o estado com maior profusão dessa espécie, sendo oficialmente reconhecida como sendo de interesse para pesquisa e conservação. Floresce no verão.

-   Cattleya warneri: sua ocorrência é rara na natureza devido à alta coleta. A destruição de seus habitats naturais tem levado à ameaça de sua extinção na categoria vulnerável. Floresce na primavera.

-     Cattleya labiata: símbolo maior das orquidáceas, foi a primeira espécie do gênero Cattleya a ser descoberta. Na natureza, encontra-se ameaçada de extinção na categoria vulnerável. É amplamente cultivada para fins comerciais. Floresce entre o verão e o outono.

-     Cattleya amethystoglossa: são plantas altas e bifoliadas, podendo chegar a mais de um metro de altura. São muito resistentes e florescem no inverno.

-     Cattleya guttata: Está na lista oficial das espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável. Produz cachos com até 15 flores entre o verão e outono.

-     Hadrolaelia pumila: atualmente ameaçada de extinção, são plantas de porte pequeno que produz flores grandes e vistosas.  Florescem no verão.

-     Brassavola tuberculata: Cresce em árvores ou em rochas e floresce entre a primavera e o verão.

-     Oncidium crispum: crescem sobre árvores e florescem entre o verão e o outono.

-     Epidendrum secundum: É de fácil adaptação e floresce durante todo o ano.

-     Epidendrum cristatum: vive nas matas de galeria e áreas de afloramentos rochosos, pode crescer em áreas de sol direto ou em áreas com sombreamento moderado. Floresce na primavera e no verão.

-     Brasilaelia tenebrosa: espécie da Mata Atlântica do Espírito Santo e Minas Gerais, em risco de extinção em seu habitat natural, na categoria ‘em perigo’. Floresce na primavera e no verão.

-     Cattleya loddigesii: natural das matas de galeria e áreas paludosas de Minas Gerais e São Paulo, encontra-se em ameaça de extinção na categoria ‘perigo crítico’. Antigamente, existiam populações dessa espécie na região que compreende a área metropolitana de BH. Floresce no inverno.

-     Sophronitis cernua: antes comum nas matas e cerrados que circundam a Serra da Moeda, está praticamente extinta nesta região. Floresce no outono.

- Catasetum lanciferum: crescem em árvores da mata atlântica mineira, sendo muito comum na região do vale da Serra da Moeda, com uma floração peculiar em tons de verde-amarronzado, na primavera e verão.

Em rochas

-     Hoffmannseggella rupestris: apresenta crescimento lento. Suas flores de cor lilás aparecem no auge do inverno.

-     Hoffmannseggella crispata: espécie de flores amarelas, vive diretamente nas rochas e floresce no inverno.

-     Hoffmannseggella caulescens: espécie muito comum nas serras de Minas Gerais, especialmente nas redondezas de Belo Horizonte, suas flores de cor lilás, são cintilantes e florescem no outono. É uma espécie ameaçada de extinção, na categoria ‘em perigo’.

-     Zygopetalum maculatum: vive nas matas ralas e altitude elevada. Floresce no verão e outono.

-     Hoffmannseggella milerii (ex Laelia milerii): Espécie simbólica das serras mineiras, de grande beleza e raridade, endêmica do Quadrilátero Ferrífero, no entorno de Itabirito. É oficialmente considerada ameaçada de extinção, em perigo crítico, tanto pela coleta ilegal quando pela destruição do seu habitat. Essa espécie é rara em cultivo, devido a dificuldade de reprodução.

Bifrenaria tyrianthina: orquídea extremamente resistente, vegeta diretamente nas rochas e floresce na primavera.

Entre as cerca de 350.000 espécies de plantas já identificadas em todo mundo, estima-se que 39,4% delas — mais de 137.000 — sofram algum grau de ameaça de acordo com os critérios da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN

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