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Obra de Rita Lee & Roberto de Carvalho ganha novas leituras em projeto grandioso de João Lee

   Obra de Rita Lee & Roberto de Carvalho ganha novas leituras em projeto grandioso de João Lee

“Classix Remix”, por Rita Lee


(Divulgação)

Desde sempre, quando a mixagem de um disco terminava, eu nunca mais queria ouvir. Não suportava o que para mim já era considerado passado. Minha máquina do tempo tinha o vetor voltado para o futuro. Nessas, esqueci uma grande quantidade de músicas e letras que compus ao longo dos meus 50 anos de estrada. Nunca tive nenhum disco meu em casa.

 

Meu filho do meio, João Lee, se formou em administração de empresa, mas optou por ser DJ e viajou o mundo todo participando dos principais festivais de música eletrônica e se deu bem nessa praia trocando figurinhas com os mais famosos DJs do planeta. Um belo dia, ele me contou do seu desejo em reunir o crème de la crème de DJs brasileiros e estrangeiros para remixarem a bagagem musical da dupla Rita Lee e Roberto de Carvalho. Apesar de sempre ter sido chegada numa parafernália eletrônica roqueira, confesso que pouco conhecia sobre o mundo mágico dos DJs e seus diferentes beats/ estilos musicais que hipnotizam a garotada para soltarem suas asas numa pista de dança. A Universal Music se interessou pelo projeto de João e lhe deu carta branca para produzi-lo. A pandemia em nada atrapalhou os remixes, pois todos os DJs de calibre do planeta que foram convidados costumam ter seus próprios estúdios em casa.

 

Já nos primeiros remixes que João mandava para Roberto e eu ouvirmos, era como mergulhar numa dimensão paralela, tipo a trilha sonora de um passeio num disco voador. Impressiona como esses ‘Merlins do Som’ desconstroem a música original e a transportam para muito além daquela minha tal máquina do futuro... pero sin perder la ternura, apenas convidando a tirar nossas bundas da cadeira para dançarmos livres-leves-soltos até no meio da cozinha e mandar a pandemia praquele lugar.

 

Os três álbuns do “Classix Remix” serão lançados separadamente num pequeno intervalo de tempo, cada um com músicas escolhidas a dedo pelos próprios DJs e capitaneadas por meu filho João. Fofo.

 

Quem diria que um dia nossa vitrola aqui em casa não ia parar de tocar músicas de uma dupla de compositores modernésimos do tempo do onça?


Ouça e baixe aqui: https://umusicbrazil.lnk.to/ClassixRemixPR




(Divulgação)


Há um tempo, João Lee me contou de uma ideia grandiosa: um projeto de remixes da obra de Rita Lee & Roberto de Carvalho. Na concepção dele – que é DJ e produtor – o cancioneiro de seus pais, a obra prima do rock/ pop, poderia, sim, se transformar. E a ambição se mantinha no formato do projeto: parrudo – com mais de 30 releituras – e pelas mãos de artistas brasileiros e de diversas partes do mundo.

 

O embrião veio da junção do lado profissional que João escolheu trilhar – a música eletrônica – e do mais profundo pessoal, seu elo familiar. “Fazer esse trabalho é um tesão absurdo. Eu, dos três filhos, sempre fui o menos roqueiro. Tinha um distanciamento musical do repertório de meus pais e, com esse projeto, eu consegui juntar o que sou e o que eles são. Trabalho com música eletrônica há 25 anos. E, com essa bagagem, conheci pessoas – seja em baladas, lojas de vinil, almoços ou jantares. Me conectei com artistas, DJs, produtores que fizeram ou fazem parte da minha vida. Conseguir trazer esse time para celebrar essas músicas tão maravilhosas é uma honra. É o projeto da minha vida”.

 

Foi um passo ousado juntar DJs de todo o mundo, com seus estilos diferentes e visões distintas. O resultado está em 37 remixes, que serão divididos em três lançamentos. O primeiro, “João Lee presents: Rita Lee & Roberto – Classix Remix Vol. 1”, estará nas plataformas digitais no dia 9 de abril, com 12 faixas. E não é que deu certo? Tem para todos os gostos e a divisão escolhida por João, de acordo com cada volume, surpreende pela coesão.

 

Mas, para chegar a esse ponto, foram meses e meses de trabalho. “Para escolher os DJs, me reconectei com conversas e encontros que tive ao longo dos anos. Muitos me falavam que gostariam de remixar ou fazer uma releitura de determinada música dos meus pais. Ou seja: foi um trabalho de conectar pontas e montar o quebra-cabeça de quem faria cada música, qual delas seria mais techno, house, latina ou mais drum’n’bass. Posso dizer que cada música tem uma história e um motivo para estar lá”, conta João.

 

Dois exemplos que estão presentes nesse primeiro volume são de Mary Olivetti e DJ Marky. Mary, que trouxe vibração ainda mais feminina para o clássico “Cor-de-rosa choque”, lançado no disco “Rita Lee & Roberto de Carvalho”, de 1982, é filha de Lincoln Olivetti. O músico, produtor e arranjador tocou em álbuns e shows de Rita & Roberto. Marky, por sua vez, teve influência da mãe ao escolher “Caso sério”. Ele lembrou a João que foi apresentado à obra da dupla através dela e do disco de 1980 – que ficou conhecido como “Lança Perfume”, reeditado em vinil pela Universal Music no fim de 2020, e que traz “Caso sério”. No volume 1, Marky apresenta duas versões do hit-caliente do casal. Uma bem ao seu estilo e outra surpreendentemente latina.

 

Entre os muitos hits absolutos de Rita & Roberto neste primeiro volume, “Mania de você” ganhou releitura de Dubdogz & Watzgood e outra de Harry Romero; “Lança perfume”, claro, está muito bem representada com remix assinado pelo francês The Reflex; Gui Boratto fez uma releitura bastante pessoal de “Mutante”, disparada uma das canções favoritas dos fãs da dupla, na qual a voz de Rita – linda, chique e emocionante – se sobressai; “Vírus do amor”, na visão do irlandês Krystal Klear, é outra surpresa, assim como “Doce vampiro”, de Inner Soto, que ganhou uma vibe mais obscura; “Saúde” é assinada por Tropkillaz; “Nem luxo nem lixo” é do duo Chemical Surf e “Atlântida” – música celebradíssima tanto por roqueiros quanto na cena eletrônica – é de Renato Cohen.

 

João também deu sua contribuição como DJ, numa ótima e swingada releitura de “Jardins da Babilônia” (do disco “Babilônia”, de 1978), que sai no volume 2, previsto para maio. O volume 3 será para junho. “Eu estava na dúvida se eu faria um remix ou não... Não é por nada, mas estava sem tempo, com tantos detalhes do projeto para resolver. Mas, quando estava quase tudo pronto, acabei recebendo ‘Jardins’ em multitrack. E senti que ela não poderia ficar de fora. Não é uma música fácil de fazer, tem uma pegada bem roqueira e tive que trabalhar muitos elementos - como a bateria de forma específica -, mas acabou saindo naturalmente e ficou legal”.

 

Outro laço familiar da pesada é o remix de “On the rocks” (do disco “Bombom”, de 1983), criado por Beto Lee, em parceria com Apollo 9. A escolha da canção – acertadíssima para o sangue roqueiro que corre em Beto – não foi por acaso. “Minha ligação com essa música vem desde a primeira vez que a escutei. Chapei na hora! Ela é organicamente dançante. Então, não foi difícil pegar esses elementos, como o teclado, baixo, além de guitarra – que carrega a música toda – e inserir loops e efeitos. Eu adorei a experiência com o Apollo, que é um cara de quem gosto muito e que é muito talentoso. Estou muito feliz por estar nesse projeto do João”, conta Beto. O remix de “On the rocks” também estará no volume 2.

 

Em tempos como esses, os “classix remix” chegam em ótima hora. Não só para revisitar a vasta e essencial obra de Rita & Roberto, mas para trazer o que eles representam para muita gente: alegria. Portanto, arrasta o sofá da sala (ou pula na cama do quarto) e a ordem, para aliviar um pouco, é uma só: dançar. Pra não dançar.

 

Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee


“Foram três anos de uma extensa pesquisa e muita dedicação ao projeto ‘Classix Remix’. A Rita Lee é uma das maiores artistas da nossa música brasileira e uma compositora que sempre esteve à frente de seu tempo. Temos a alegria de ter boa parte de seu repertório no catálogo da Universal Music. O João Lee fez um trabalho primoroso e trouxe para esse lindo projeto um timaço de DJs produtores, que fizeram novas leituras incríveis da obra dela. Um projeto lindo e difícil de escutar e não se emocionar”.


Paulo Lima (Presidente da Universal Music Brasil)







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