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O racismo, a intolerância religiosa e a renovação da lei de cotas

 O racismo, a intolerância religiosa e a renovação da lei de cotas, que será discutida em 2022, em debate com a Presidenta da UNE, no Rio de Janeiro.


Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos recebeu em sua casa, na Mangueira, Bruna Brelaz - Presidenta da União Nacional dos Estudantes - UNE. O militante vem há anos e lá se vão mais de 40 anos, em um contínuo enfrentamento, entre as forças seculares detentoras da hegemonia sobre as questões da organização e gestão do Estado e de suas instituições, a fé religiosa, a ordem econômica e principalmente a política educacional.  

O racismo, a intolerância religiosa e a renovação da lei de cotas (que será discutida em 2022), em debate. E essa demanda foi discutida neste fim de semana, na casa do veterano Ivanir dos Santos, professor e orientador no Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ. Aliás, o professor vem reunindo lideranças em sua residência, na Zona Central para compor processos de resistências e lutas dos movimentos negros em busca de equidade e igualdade na sociedade brasileira.

A agenda foi com uma das principais representantes de alunos do ensino superior do país - a Presidenta da União Nacional dos Estudantes / UNE, Bruna Brellaz, que veio exclusivamente de São Paulo, onde reside atualmente, para reunião com Ivanir, nos moldes dos grandes encontros estudantis brasileiros.

Inclusive, tem um detalhe que já sinaliza mudança. Em quase 84 anos de história, a amazonense Bruna, estudante de direito de 26 anos, é a 1ª mulher negra e do Norte do país a comandar a entidade. Curiosidades à parte, o prof, propôs uma maior integração, com ações em conjunto com os movimentos estudantis brasileiro, para uma nova construção.


"Precisamos compreender que o sistema de cotas faz parte das políticas de reparação às minorias representativas da nossa sociedade e, que tem como cerne as políticas de ações afirmativa inclusiva étnico racial", disse o professor Ivanir dos Santos.

Segundo Bruna, a reunião criou laços "Esse encontro foi importante pra gente estabelecer, um diálogo em parte com a intelectualidade do movimento negro, e o professor Ivanir representa isso. A UNE tem total interesse em construir uma plataforma de defesa de cotas, entrada do povo negro na universidade, de sua permanência e fazer um debate profundo sobre o povo negro no ensino superior brasileiro. E o professor Ivanir é esse símbolo, é também essa figura que vai fortalecer junto com a gente todas essas pautas", pontuou.

Para Cláudia Vitalino, da UNEGRO - "O Babalawô Ivanir dos Santos é um dos nomes de destaque não só na questão religiosa, mas também na luta contra o racismo, nesse momento político sobre as cotas raciais, que é uma luta do movimento negro. Com essa reunião, juntamente com os movimentos de juventude, se tornam ainda mais importantes porque a gente não pode esquecer que cota é reparação histórica que esse estado tem com a população afrodescendente desse país".

O cicerone contou ainda com a presença de outras lideranças de movimentos sociais, como Raimunda Leone - Metalúrgica, Central de Trabalhadores do Brasil / CTB RJ, Antônio Carlos / UNEGRO, Joelson Luís - EDUCAFRO, Leonardo Guimarães - membro da União da Juventude Socialista / UJS, Natanael Firmino - Sec. Estadual de Organização do PCdoB RJ e Marcelo Santos - CEAP.

Muitas foram as ideias, o Co fundador, Dirigente Nacional e Estadual/RJ da Frente Favela / FFB, destacou a necessidade de uma mobilização em diversos setores. "Precisamos de uma referência, uma pessoa preta, oriunda das comunidades. Que lute de imediato, em defesa do ensino público qualificado", acrescentou Geraldo Coelho.

A Vereadora Walkiria Nictheroy, aposta em novos rumos. "Acredito muito que as estratégias de sobrevivência que tivemos até hoje foram coletivamente, encontros como esses representam uma nova estratégia. Eu conheci Ivanir como babalawô, como militante eu tive a oportunidade de ouvi-lo hoje. E como um pensador do nosso povo negro eu confio que o caminho é seguirmos juntos e em frente, lutando em defesa dos nossos direitos e para superação", potencializou a professora, mulher negra, moradora do Morro do Palácio (no Ingá) e candomblecista.

É certo dizer que todos estão ávidos por igualdade de direitos.




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