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MovEndo: Movimento Brasileiro de Conscientização sobre a Endometriose fortalece Março Amarelo


 Eventos presenciais e online integram a programação da campanha na Bahia


Propagar a conscientização sobre a endometriose, seus sintomas e tratamentos através de eventos, ações e debates relacionados ao tema. Este é o objetivo do Movimento Brasileiro de Conscientização da Endometriose (MovEndo), que será lançado em março em todo o país. Devido à pandemia de Covid-19, ainda em curso, para evitar aglomerações, boa parte das ações acontecerá em ambiente virtual, mas em algumas cidades baianas há programações presenciais confirmadas. Independente do formato, o movimento pretende fortalecer a campanha mundial Março Amarelo. A endometriose afeta cerca de 10% da população feminina nacional. Estatísticas regionais revelam que aproximadamente 60% das mulheres inférteis na Bahia são portadoras da doença.


Para mostrar à sociedade os grandes impactos da endometriose na vida de tantas mulheres, corredores e ciclistas de Vitória da Conquista, no centro-sul baiano a cerca de 500 km de Salvador, já se organizaram para vestir a camisa cor do sol do MovEndo no dia 6 de março, quando um grande encontro acontecerá na Av. Olívia Flores, com saída do Shopping Boulevard, das 7 às 11 horas. Em Salvador, uma exposição fotográfica batizada de “Endoalerta” será realizada no Horto Bela Vista nos dias 18 a 28 de março, das 10 às 22h. No mesmo local, o “Endoalerta Talk Show” acontecerá no dia 23, a partir das 14 horas. 


Já o evento “MovEndo Salvador”, confirmado para o dia 26 na sede da Associação Bahiana de Medicina (ABM), contará com orientações sobre a endometriose e distribuição de senhas para exames diagnósticos gratuitos. Os detalhes de cada uma das ações serão divulgados pelos organizadores nos próximos dias. A programação do MovEndo na Bahia inclui, ainda, uma live no Instagram com especialistas no dia 17 de março. O objetivo é esclarecer as principais dúvidas do público relacionadas à doença. Os facilitadores serão os ginecologistas Marcos Travessa, de Salvador-BA; e Paulo Padovani, de Piracicaba-SP. O encontro virtual será transmitido através do perfil @crhpiracicaba. Outras informações sobre o MovEndo podem ser conferidas no site www.movendobrasil.com.


Sobre a doença - A endometriose acontece devido ao crescimento inadequado do endométrio, tecido que recobre a parte interna do útero. Diante deste aumento anormal, o tecido pode migrar e se implantar em órgãos da região pélvica, atingindo principalmente ovários, parte inferior do útero, intestino e bexiga, gerando um processo inflamatório no organismo da mulher. Segundo o cirurgião ginecológico Marcos Travessa, diretor do Centro de Endometriose da Bahia e do núcleo de ginecologia do Instituto Baiano de Cirurgia Robótica (IBCR), “quando o tecido endometrial se aloja fora do útero, ele não tem como sair e acaba sangrando para dentro da cavidade abdominal, gerando um quadro de dor acentuada”, explicou.


Ainda segundo o médico, as implicações da doença são variadas e preocupantes. Uma delas é o fato da endometriose ser a principal causa de infertilidade feminina. Além disso, muitas mulheres ficam acamadas e sentem dores intensas no período menstrual. Outras tantas precisam recorrentemente ir a unidades de emergência para serem medicadas. “A endometriose pode dificultar muito ou impedir que a mulher tenha uma vida sexual ativa, devido à dor durante a relação. Também por isso a inflamação precisa ser muito bem tratada”, afirmou Marcos Travessa.


Em algumas mulheres, a endometriose não apresenta sintomas específicos, o que pode retardar o diagnóstico. Em outros casos, porém, a paciente pode ser acometida por cólicas menstruais intensas e dor antes ou durante a menstruação; dor difusa ou crônica na região pélvica; fadiga crônica e exaustão; alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação; além da dificuldade para engravidar.


O diagnóstico é feito a partir de um histórico detalhado apresentado pela paciente durante uma consulta médica, associado ao exame físico, ultrassom e/ou ressonância magnética. Não há cura para a doença, mas se a mulher se submeter ao tratamento adequado, os incômodos e consequências podem ser diminuídos drasticamente, evitando, inclusive, que a paciente tenha sua capacidade fértil comprometida. 


O uso de contraceptivos hormonais pode ajudar a bloquear os hormônios femininos, controlando sintomas e evitando a progressão da doença. Além disso, mudanças comportamentais como dieta anti-inflamatória, exercício físico regular e hábitos de vida saudáveis, como restrição do uso de álcool e fim do tabagismo, dentre outras medidas, são fundamentais no controle dos sintomas.


A cirurgia costuma ser o melhor caminho para a paciente que quer ter filhos e não consegue por causa da endometriose. Nos Estados Unidos, a maioria das cirurgias para tratamento da endometriose é feita na modalidade robótica. A tecnologia, que chegou ao Brasil em 2008, só foi instalada na Bahia em 2019. Desde então, a demanda pela cirurgia robô-assistida para tratamento da doença no estado tem crescido consideravelmente. O robô dá ao médico uma visão ampliada e em três dimensões (3D), permite movimentos mais precisos e traz menos morbidade para as pacientes que, em geral, recebem alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento. Além de menores riscos de complicações, a cirurgia robótica, uma evolução da videolaparoscopia, caracteriza-se por menores taxas de sangramento e dor no pós-operatório e pela recuperação mais rápida.

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